E assim chegamos à Era da realidade virtual. Anteriormente chamado de
Project Morpheus, o Playstation VR nos traz uma nova vertente de entretenimento. Se antes os WiiMotes da Nintendo eram ápice de diversão nos games e o Kinect da Microsoft logo depois assumiu este posto, agora é a vez da Sony entrar na brincadeira após o fracasso do Playstation Move.

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Ainda não é possível saber até onde a produtora pode (e pretende) chegar com o aparelho, mas é perceptível a quantidade de coisas legais que ele permite. O formato é bem legal e moderno, além de contar com pontos de luz que tornam tudo ainda mais bonito, principalmente no escuro. O interior é revestido com uma leve camada de borracha, mas sem exagero, tornando a experiência muito confortável. O único problema é que, ao tirar o óculos, você percebe o quanto suou ali dentro, mesmo que isso passe batido durante a jogatina. As lentes, também na parte interna, apenas se ativam quando algo chega perto, evitando desperdícios.

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Em um primeiro momento pode parecer confuso encaixar o aparelho na cabeça por existirem botões e reguladores para que se adapte a qualquer um. Na parte traseira há um botão que estica o compartimento onde a cabeça entra e um regulador de pressão para prender com firmeza o óculos no rosto. Já na parte inferior direita existe outro botão que afasta ou aproxima as lentes da face. É tudo bem simples, nada que alguns minutos de adaptação não ensine. Em pouco tempo torna-se automático e aquela sensação de “muita coisa para ajustar” torna-se passageira.

Talvez algo que possa decepcionar muita gente é a quantidade de fios. Não é algo que atrapalhe a experiência, mas você pode acabar sentido-se limitado por algo que deveria trazer mais liberdade no gameplay. Mas é compreensível. O Playstation VR ainda está engatinhando e existe um aparelho que precisa ser alimentando em tempo real pela energia do console (há um aparelho alimentador que vem junto com o VR e se conecta ao Playstation 4). Talvez no futuro isso seja trocado por uma bateria, o que nos daria mais locomoção mas nos limitaria no tempo de uso. Tudo é uma questão de saber priorizar e distribuir os recursos do óculos.

Ok, está tudo muito legal mas… e os jogos? Aah, é hora de falar sobre eles.

Muita gente que já teve acesso ao VR reclamou da falta de opções nos games. Mas vamos combinar que essa reclamação é totalmente desnecessária. Nem chega a ser um ponto negativo. Como disse anteriormente, a tecnologia ainda está engatinhando e é extremamente compreensível que não existam tantos lançamentos. E os que existem são muito interessantes.

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O primeiro que testei foi o VR Worlds, que já conta com um menu totalmente interativo. Poderia passar horas só no menu principal tamanha era minha fascinação pela novidade. É tudo muito bonito e o cenário é sim em 360º, desmentindo alguns boatos que haviam por aí. O que acontece é que o console precisa enxergar a luz do controle, então não é possível virar totalmente o corpo neste caso, já que isso tiraria o controle da visão. Mas é possível perfeitamente olhar para trás e admirar todo o cenário em sua magnitude ao redor.

VR Worlds é um game que conta com 5 desafios diferentes. Cada um apresentando uma proposta para uso do óculos. Eu experimentei primeiramente o Ocean Descent, que é mais cinemático do que jogável. Existem muitas demos onde você torna-se apenas testemunha de algo que ocorre a sua volta, e essa é uma delas. Eu me encontrei dentro de uma jaula mergulhando no fundo do oceano, podendo contemplar toda a beleza subaquática. Águas vivas, plantas, raias… e até mesmo um ataque de tubarão, que infelizmente estava fora da demonstração. É incrível como sua consciência esquece que trata-se de CGI e absorve totalmente aquela atmosfera, nos deixando maravilhados. Além disso, o VR reconhece profundidade e a posição do jogador, tornando possível que você se abaixe no jogo para ver algo mais de perto ou até mesmo aproxime-se com o rosto de um objeto. Em alguns casos (como na belíssima demo cinemática Alumette) ainda é possível até mesmo ver o interior de locais que você não veria simplesmente parado no lugar. Existem cenários criados para ficarem escondidos a menos que você saia do lugar e posicione-se para ver de outros ângulos. O gráfico visto por dentro do óculos é um pouco inferior ao que aparece na TV, mas não é algo tão perceptível. É sério, isso passa batido enquanto você ta se divertindo.

The London Heist é outra divertida experiência, dessa vez contando com o quase esquecido Playstation Move, que conseguiu ser resgatado pela magia da realidade virtual. Aqui, os controles de movimento são usados como arma em uma das mãos e para carregar o pente com a outra. Há toda uma história sobre o submundo do crime neste jogo, mas na demo só estava disponível a zona de treinamento, o que já foi bem divertido.

Os pontos altos foram os games de terror. A demo de Resident Evil 7, aqui nomeada apenas de Kitchen, rendeu momentos de tensão e preparou o terreno para o que pode ser um dos jogos mais assustadores da franquia. Rush of Blood, o spin-off de Until Dawn, é um verdadeiro terreno fértil para bons sustos e mãos suadas. Você passa o tempo todo em um carrinho sobre trilhos, passando por lugares medonhos, sob efeito de um gás alucinógeno que garante todo tipo de bizarrice. Esse felizmente pude jogar a versão completa vale muito a pena. Mas nem tudo são flores. Durante o jogo Here They Lie eu me senti nauseado em muitos momentos. Mal podia andar com o personagem sem que ficasse tonto, o que atrapalhou muito minha experiência. Não pude aproveitar ao máximo devido a estes sintomas e parece que muita gente passou pelo mesmo. Algumas críticas revelam que o jogo é mesmo nauseante e anda fazendo muito mal. A pergunta que fica no ar é se isso é culpa do VR ou do game em si, mas é quase certo que seja a segunda opção. O problema é que após jogar Here They Lie até mesmo jogar Rush of Blood tornou-se difícil. Sentia-me mal a cada vez que o carrinho acelerava nos trilhos, o que não ocorreu anteriormente. Então ainda será necessário haver um filtro para saber quais jogos seriam mais adequados ao Playstation VR.

E afinal, vale a pena ou não?

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Ah vale. Vale muito! Em suma, apesar de algumas limitações aceitáveis e o risco de ainda haver jogos que possam afetar negativamente o usuário, a experiência é recompensadora e, dependendo do game, você poderá jogar horas sem se cansar. Um ajuste aqui e ali seria o bastante para tornar a experiência impecável. Bonito e confortável, o Playstation VR ainda tem muito pela frente e é certo que a Sony usará o máximo possível desta incrível tecnologia. Então, assim que possível, garanta o seu e espere por momentos de beleza, diversão e terror de uma forma bem diferente.

  • Cassini675

    Show de bola!
    Adorei a review, a imersão no Until Dawn é realmente absurda!
    Estou te esperando para continuar campanha ☺🖒.
    Abraços do mais novo fã do AltNerd!